O candidato a deputado federal Fábio Sousa (PL-GO) criticou o pedido feito pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que o ministro André Mendonça seja investigado por sua atuação nos casos relacionados ao Banco Master e ao INSS. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele classificou a iniciativa como um “contra-ataque” e voltou a cobrar esclarecimentos sobre as informações reveladas nas investigações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

No dia 3 de setembro, Moraes encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, um pedido para que Mendonça fosse investigado por possíveis crimes de abuso de autoridade e responsabilidade, além de improbidade administrativa. A solicitação foi apresentada no âmbito do chamado inquérito das fake news. Moraes alegou que o colega teria atuado por motivações pessoais e políticas e direcionado investigações relacionadas aos casos Master e INSS.

Ao comentar o episódio, Fábio Sousa criticou a utilização do inquérito contra Mendonça justamente no momento em que o ministro analisava elementos envolvendo Moraes e Vorcaro. Para o candidato, a medida levanta questionamentos sobre a imparcialidade da condução do caso.

“É um contra-ataque”, afirmou Fábio Sousa durante o pronunciamento. O candidato também classificou a situação como parte de um “delírio totalitário” e questionou a possibilidade de Moraes atuar em um procedimento que envolve acusações relacionadas à própria conduta.

A tensão entre os ministros aumentou após Mendonça, responsável por investigações relacionadas ao Banco Master, tornar públicos elementos de um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens e referências a encontros entre Moraes e Vorcaro. As informações também trouxeram questionamentos sobre relações comerciais envolvendo o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes. As circunstâncias e eventuais irregularidades permanecem sob análise das autoridades, e Moraes nega ter cometido ilegalidades.

No vídeo, Fábio Sousa afirmou que essas questões precisam ser esclarecidas antes de qualquer tentativa de desviar o foco das investigações. Ele mencionou as conversas atribuídas a Vorcaro, as relações comerciais reveladas no caso e outras informações que vêm sendo analisadas pelas autoridades.

Para Fábio, a prioridade deveria ser esclarecer as dúvidas levantadas pelas investigações. O candidato questionou, entre outros pontos, as mensagens nas quais Vorcaro teria buscado interlocução com Moraes durante o avanço das apurações. “O que a gente quer saber” é o conteúdo e o contexto dessas relações, afirmou ao defender transparência sobre o caso.

O embate provocou uma crise interna no Supremo. Posteriormente, Edson Fachin retirou Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news e determinou que procedimentos ainda em andamento retornassem à Presidência da Corte. O presidente do STF também passou a analisar a regularidade das medidas adotadas durante a disputa entre Moraes e Mendonça.

Ao final do pronunciamento, Fábio Sousa voltou a defender André Mendonça e relacionou o episódio a uma disputa que, em sua avaliação, ultrapassa o campo jurídico. O candidato afirmou que continuará cobrando transparência, independência das investigações e limites para a atuação de autoridades públicas.

Para Fábio Sousa, integrantes dos Poderes da República devem estar sujeitos à fiscalização e à prestação de contas, independentemente do cargo que ocupem, especialmente quando surgem questionamentos capazes de afetar a confiança da população nas instituições.