O candidato a deputado federal Fábio Sousa (PL-GO) se posicionou sobre a divulgação de áudios e mensagens extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que revelaram articulações para uma reunião entre o empresário e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Em vídeo publicado nas redes sociais, Fábio classificou as revelações como graves e defendeu que os fatos sejam investigados com o mesmo rigor aplicado a todas as autoridades mencionadas no caso.

Um dos áudios divulgados não registra uma conversa direta entre Vorcaro e Mendonça. Na gravação, o advogado Ciro Rocha Soares relata ao então banqueiro que havia conversado com o ministro e afirma que Mendonça teria manifestado interesse em recebê-lo. O encontro entre os dois ocorreu posteriormente, em março de 2025, em São Paulo.

André Mendonça confirmou ter recebido Vorcaro uma única vez. Segundo o ministro, a reunião ocorreu por iniciativa do empresário e tratou de uma ação sobre créditos de precatórios que tramitava no Supremo e era de interesse do Banco Master. Mendonça afirmou que se limitou a ouvir os argumentos apresentados e ressaltou que sua atuação posterior no processo foi contrária à posição defendida pelo empresário.

No pronunciamento, Fábio Sousa afirmou que o episódio envolvendo Mendonça deve ser esclarecido, mas questionou o que considera uma diferença de tratamento diante de outros elementos encontrados no celular de Vorcaro. “Isso é um escândalo”, afirmou o candidato ao comentar as informações divulgadas.

Fábio também destacou mensagens nas quais interlocutores ligados a Vorcaro demonstravam dificuldade em estabelecer uma relação mais próxima com Mendonça. Reportagens baseadas no material obtido pela Polícia Federal apontam diversas tentativas de aproximação do ex-banqueiro com o ministro, além de convites relacionados ao Instituto Iter, entidade fundada por Mendonça. Os registros demonstram os contatos e articulações, mas não comprovam, por si só, que o ministro tenha atuado de forma irregular em benefício de Vorcaro.

Ao fazer a comparação, Fábio Sousa voltou a mencionar as revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Relatório da Polícia Federal tornado público reuniu mensagens atribuídas a Vorcaro, referências a encontros e informações sobre um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia do qual a esposa de Moraes é sócia. As circunstâncias desses contatos seguem sendo objeto de questionamentos e análises, e a existência das mensagens ou de relações profissionais não representa, isoladamente, comprovação de crime.

Para Fábio Sousa, o ponto central é que as investigações não sejam conduzidas de maneira seletiva. O candidato defendeu que eventuais vínculos entre Vorcaro e integrantes do poder público sejam analisados individualmente, com transparência e respeito às provas, independentemente da posição política ou institucional das autoridades envolvidas.

Em seu posicionamento, Fábio afirmou ainda que o caso Master evidencia a necessidade de maior transparência nas relações entre agentes públicos e pessoas investigadas. Para ele, preservar a credibilidade das instituições exige que suspeitas sejam esclarecidas e que o mesmo padrão de fiscalização seja aplicado a todos os envolvidos.